O Vianense
ANO XXIX - Edição de 15-08-2010
Editor e Director: Matias de Barros
Subdirectores: Francisco Sérgio de Barros e Barros e Rogério de Barros e Barros
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4900 - 317
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Arquivo: Edição de 15-06-2010

SECÇÃO: Cultura e Lazer

Akasha Ana - Uma bailarina de Danças Clássicas e Orientais

Akasha Ana, uma vianense cheia de talento. Reside em Vila Nova de Anha .Cedo começou a desenvolver a sua vocação de bailarina, e o fascínio pelos costumes e danças orientais. Concedeu-nos um pouco do seu tempo. Eis o extracto da nossa conversa:

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Jornal “O vianense”: -Ana, obrigada por nos conceder um pouco do seu tempo.
Akasha Ana: Eu é que agradeço o convite e interesse pela área à qual me dedico.

“O V.”: Ana, conte-nos um pouco como se interessou pela dança do ventre e outras danças orientais?
Akasha Ana: -Desde os quatro anos que tenho formação em Ballet Clássico pelo que a dança de uma forma geral cresceu comigo. Recordo-me de, quando tinha cerca de 8 anos, assistir ao clássico da Disney Aladino e a Lâmpada Mágica, onde se via a bela princesa Jasmim num magnífico palácio árabe, as odaliscas que dançavam nos festejos, o típico mercado com fakirs e encantadores de serpentes e todo esse mundo já me fascinava. Logo, assim que surgiu a primeira professora de dança de ventre e pude começar a aprender esta dança tradicional desses países, não perdi a oportunidade. Claro que com a chegada da novela do “O Clone”, etc., cada vez fui aperfeiçoando mais porque a vinda de professoras do estrangeiro para cá para dar formação também aumentou consideravelmente devido ao impacto promovido, daí hoje em dia eu já trabalhar com espada, asas de ísis, candelabro, saggats, véu, bengala/bastão e velas, caso contrário, nunca teria desenvolvido estas técnicas.

“O V.”: -Como é que define a Dança do Ventre?
Akasha Ana:-É uma dança muito sedutora, hipnotizante, que anteriormente era mal vista mas agora é encarada como uma Dança Tradicional de Países Árabes como qualquer outra Dança Étnica com todas as suas técnicas. E acima de tudo tem muito mais história por detrás de cada movimento, de cada acessório/instrumento, de cada dança, do que as pessoas imaginam... Por exemplo, o ondular do ventre surgiu dos movimentos infligidos durante as contracções num parto pela mulher ao dar à luz. O O véu, por exemplo, está associado ao facto de as mulheres nesses países terem que ocultar-se perante os outros e somente em casa poderem estar sem ele. A espada foi inserida num momento em que algumas mulheres não quiserem submeter-se a maus tratos e a viverem debaixo de tantas regras e imposições e resolveram fugir e conta-se que na fuga encontraram guerreiros de outros países (outras mentalidades) que as ajudaram e para quem dançavam como forma de entretenimento e com as espadas destes desenvolveram uma nova técnica de dança, e assim sucessivamente para cada instrumento e movimento de dança...

“O V.”: -No SPORT AMOROSA CLUB-VIANA DO CASTELO, como surgiu a ideia das aulas de danças, naquele espaço?
Akasha Ana: -A ideia partiu de um convite por parte do proprietário. No entanto, actualmente não me encontro a leccionar Dança do Ventre, mas somente Ballet Clássico em 2 níveis de aprendizagem, Hip-Hop e Yoga. Na área da Dança do Ventre neste momento estou somente a realizar espectáculos e festas temáticas.

“O V.”:-O que desenvolve como professora de Dança do Ventre, quais as suas propostas e técnicas?
Akasha Ana: Existem movimentos básicos que se ensinam como o Shimmy, o Círculo da Lua, o Círculo do Sol, o Círculo de Diamante, o Infinito, o Camelo, mas é claro que cada professor vai criando e desenvolvendo novos passos adaptando, criando fusões, inclusivamente neste momento a dança do ventre já se divide em: Dança do Ventre Egípcia, Clássica, Libanesa, Norte-Americana, Fusão Tribal, Folclórica, Flamenco-Árabe, entre outras, onde se utilizam acessórios que já mencionei e também o Jarro, o Daff, a Cobra, o Tabuleiro, os Leques-Véu, as Garras de Fogo...
As técnicas que estou a trabalhar agora para próximos espectáculos são a Cobra (Piton), os Leques-Véu e as Garras de Fogo... A Cobra já é domesticada desde pequena, claro. E... não tenho medo de dançar com a Cobra... Deve ser de família pois o meu pai já em Angola pegava em Gibóias com 5 e 6 metros de comprimento. Tenho fotos em casa.

“O V.”:-Comente-nos sobre como é o seu processo de criação.
Akasha Ana: É muito variado. Muitas vezes depende também do que me pedem. Há coreografias em que sou eu que pretendo transmitir algo e aí escolho uma música que me transmita aquilo que pretendo em termos musicais e depois traduzo-a em movimento. Curiosamente o bom bailarino deve fazer o oposto. Criar a coreografia e só depois procurar uma música, mas eu faço o contrário... Mas geralmente a música é que promove e me dita o ritmo do meu movimento e até mesmo a expressão. Se a música não me fizer sentir algo de muito especial, não danço com “feeling” e as pessoas que assistem também não vêem nada na dança. Uma boa música é fundamental, movimentos variados também e principalmente muita alteração de ritmo e deslocação no espaço ou a dança do ventre pode tornar-se repetitiva e até aborrecida ao fim de poucos minutos.

“O V.” :-O que deve fazer um bailarino para estar mais consciente das suas possibilidades de expressão?
Akasha Ana:-Não se limitar a fazer os passos ou movimentos como quem pega numa caneta e aponta qualquer coisa para não se esquecer. Tem que pegar na caneta e esforçar-se por com calma escrever a palavra letra a letra com a maior perfeição possível e não um rascunho rápido. Depois de aperfeiçoar bem a técnica os movimentos sair-lhe-ão de forma automática do corpo com a música então já tem a mente livre para expressar-se e soltar-se para os detalhes e pormenores. Um braço que ondula desde o ombro até a ponta dos dedos mas que é acompanhado por um olhar lento e penetrante, ou um percorrer pelo palco que termina numa paragem suave e prolongada e não brusca ou hesitante... Muitos bailarinos esquecem-se de utilizar a cabeça, seguir a mão com o olhar, tirar partido do cabelo, de movimentos com a cabeça. Isso pode mudar completamente a expressividade de uma dança e também os pés... a forma como caminham, esticam, deslizam... tudo é expressividade, tudo comunica...

“O V.” : -Além de dar aulas e ser dançarina, quais próximos objectivos da Akasha Ana?
Akasha Ana: Além de dar aulas de dança e ser bailarina sou também designer (freelancer) e organizo alguns eventos.Gostaria de continuar a dar aulas de dança, a ser bailarina até uma certa idade, continuar a desenvolver as minhas técnicas e aumentar a minha carteira de clientes na área de design assim como ir apostando numa formação contínua e mais actualizada quer em dança quer em design, e como adoro tudo o que está relacionado com criatividade, artes, etc., aprofundar a área de organização de eventos mas somente numa vertente de festas temáticas nada mais.

“O V.”: -Quais os conselhos que daria a quem quer evoluir como bailarina?
Akasha Ana: Ter uma base de dança clássica é fundamental, e quanto mais cedo iniciar melhor. De qualquer forma, qualquer pessoa bem fisicamente pode iniciar um percurso na área da dança pois poderá até já ter talento nato para isso. Mas a base fundamental para mais tarde se estudar qualquer tipo de dança é iniciar na Dança Clássica. Poderá no entanto iniciar estudos na área da Dança do Ventre sem essa base, mas será uma aprendizagem mais difícil, pois não é só o Ventre que se trabalha. É preciso trabalhar o equilíbrio, os braços (ondular os braços é extremamente difícil)..., executar rodas consecutivas girando a cabeça rapidamente, entre outras coisas, que, no caso de um aluno com base clássica terá mais facilidade do que um sem esta. Mas não há nada como ser persistente, aplicado e dedicado e tudo se consegue!

“O V.”: -Como vê hoje a dança em Portugal?
Akasha Ana: Até hoje via como uma área com poucos apoios financeiros e à qual não era atribuída muita relevância em termos de projecção. Felizmente, surgiu recentemente um concurso que veio ajudar a dar mais projecção à Dança em Portugal e isso é óptimo. De qualquer forma, o prémio, como sabem, não é monetário embora seja um prémio muito bom para quem ganhar. Mas lá está, em termos financeiros penso que mesmo depois deste programa não existirão grandes mudanças no que diz respeito a concederem mais apoios às entidades que se dedicam ao desenvolvimento de projectos na área da dança (Companhias) e os bailarinos acabam por não ter onde trabalhar e ter que dar aulas de dança ou fazerem espectáculos de outras formas.

“O V.” : -Quer nos falar do Tarot?
Akasha Ana:- Ah... O Tarot é uma arte divinatória à qual recorro para ajudar alguns amigos e também insiro em algumas das festas temáticas que organizo mas não cobro nada pelas consultas. É um extra que faço de forma gratuita porque já o pratico há 17 anos e sei que através dele poderei alertar muitas pessoas para situações antes que estas sucedam e desta forma ajudar. O Tarot que utilizo é o de Marselha e penso que não há muito a dizer. Somente que as pessoas não devem tornar-se dependentes do Tarot e devem vê-lo como um conselheiro, um amigo que lhes indica o melhor caminho, a melhor direcção a tomar mas não devem deixar de viver e passar a perguntar tudo ao Tarot antes de dar qualquer passo com medo de errar. Porque ele dá mas também tira. Deve consultar-se de forma moderada e não consecutivamente ou ele fechar-se-á e não dará mais respostas. O Tarot é um instrumento/intermediário de comunicação que decide qual o momento mais oportuno para determinada pessoa tomar conhecimento de certas situações. Nem sempre é quando a pessoa quer. Mas quase sempre dá todas as respostas. Só se fecha perante pessoas que insistem muitas vezes porque querem que o Tarot lhes diga o que elas querem ouvir e isso não é possível...

“O V.:-Akasha Ana, tivemos uma conversa agradável e esclarecedora. Em nome do nosso jornal, agradecemos a disponibilidade que nos concedeu.
Akasha Ana:- Muito obrigada. Gostei muito de ter conversado com vocês e formulo votos de cada vez maior sucesso para o vosso jornal.
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Entrevista conduzida por Fátima Rosa Rodrigues

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